Deepfakes, imagens fabricadas e vozes clonadas já chegam aos processos como se fossem prova. IA Forense é a perícia que separa o autêntico do sintético — em imagem, vídeo e áudio — com método reprodutível e conclusões que resistem ao contraditório.
IA Forense é o campo da perícia dedicado a examinar conteúdo criado ou manipulado por inteligência artificial e apresentado como prova. Em poucos anos, gerar uma fotografia de um evento que nunca ocorreu, trocar o rosto de alguém num vídeo ou clonar uma voz a partir de segundos de áudio deixou de exigir laboratório — está ao alcance de qualquer pessoa com um celular. A consequência para o Direito é direta: a mídia perdeu a presunção automática de veracidade, e distinguir o autêntico do sintético virou questão técnica, não de percepção.
Esta página reúne as três frentes desse trabalho — imagem, vídeo/deepfake e voz — sob uma metodologia comum. O princípio que a sustenta é o mesmo de toda boa perícia de sinal: nenhum detector isolado decide; a conclusão nasce da convergência de indícios independentes, expressa em escala graduada e com os limites da técnica declarados com honestidade.
Não existe botão mágico que responde "é IA ou não é". O que existe é um protocolo que combina camadas de evidência, cada uma difícil de falsificar simultaneamente. Um gerador pode enganar uma técnica; enganar todas ao mesmo tempo, mantendo coerência física e metadados consistentes, é muito mais raro — e é nessa dificuldade que o exame se apoia.
Metadados de captura, histórico de edição e credenciais de conteúdo C2PA/JUMBF. Muitos geradores e editores deixam marcas de origem — e a incoerência entre a origem alegada e a registrada já é, por si, um forte indício.
Artefatos que os modelos deixam no próprio conteúdo: padrões espectrais, inconsistências de ruído, fronteiras de fusão, regularidades "limpas demais". Variam por técnica e por época — por isso o exame é multitécnica.
Sombras que não batem com a luz, reflexos impossíveis, mãos e dentes malformados, prosódia sem respiração, contexto que não fecha. A IA acerta a aparência; frequentemente erra a consistência.
Detecção de imagens integralmente criadas por IA (modelos de difusão e afins) e de montagens que combinam trechos reais e sintéticos — comprovantes, "flagrantes", documentos e cenas fabricadas.
Análise de substituição ou manipulação facial e corporal em vídeo, quadro a quadro: fronteiras de fusão, coerência temporal, piscar, sincronia labial e iluminação entre a face inserida e a cena.
Avaliação de fala produzida por síntese (TTS) ou clonagem de voz, por artefatos espectrais, prosódia e coerência acústica — técnica já usada em golpes por telefone e em áudios forjados.
Verificação de credenciais de conteúdo e metadados em qualquer das modalidades, avaliando a coerência entre a origem declarada e os vestígios efetivamente presentes no arquivo.
Relatório ilustrado, com metodologia declarada, resultado por técnica e conclusão em escala de suporte — compreensível para o julgador e defensável no contraditório.
Revisão crítica de laudos de IA produzidos por terceiros e de "detectores" automáticos apresentados como prova, cujos resultados isolados não têm o valor que se lhes costuma atribuir.
Geradores evoluem para apagar os próprios rastros. Um artefato detectável hoje pode desaparecer no modelo do mês seguinte. Por isso, ausência de indício de manipulação nunca equivale a prova de autenticidade — apenas afasta o que era pesquisável com as técnicas disponíveis. O laudo declara o estado da arte na data do exame.
Ferramentas que cospem "94% de probabilidade de IA" são indício, não conclusão: erram, são enganáveis e não explicam o porquê. Um laudo sério não terceiriza a conclusão a uma caixa-preta — usa múltiplas técnicas, mostra o raciocínio e assume os limites. É o que resiste ao contraditório.
Preserve o arquivo original (não reenvie por WhatsApp) e descreva o caso. A avaliação preliminar de viabilidade não gera compromisso.